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| 4H RESISTÊNCIA BTT EKOSIUVENIS 09 - RESCALDO |
![]() Os testemunhos daqueles que estiveram em Castelo de Vide, não deixam margem para dúvida quanto à satisfação em relação à iniciativa. Aqui fica o relato da equipa “Ó” DO VIDRO.
4H de Resistência em Castelo de Vide Resistência Alentejana…. A pitoresca Vila de Castelo de Vide, juntamente com a aldeia vizinha de Marvão, e respectivas zonas envolventes, compõem um cenário único em todo o Alentejo composto por colinas escarpadas, bosques verdes, rios e riachos de águas límpidas, casas medievais, e claro, castelos. Na verdade, Castelo de Vide por si é conhecido por ser a “Sintra do Alentejo”, tais são algumas semelhanças com esse lugar, mas também devido à existência de um micro-clima muito peculiar que em muito contribuiu para o desenvolvimento de toda a beleza natural. Trata-se então do local perfeito para a realização da prática de BTT, sendo muito frequentando não só pelos praticantes da Vila, mas também das redondezas. Ao saber que a Associação de Jovens de Castelo de Vide Ekosiuvenis iria organizar uma prova de resistência de 4h, num circuito de 10 km em redor da Vila, muito perto da Comenda, o Carlos e o Joel da “Ó” DO VIDRO viram a oportunidade de participar num evento que se adivinhava muito interessante, e com a vantagem de estar “logo ali” perto de casa, o quem nem sempre acontece. Não tardaram a lançar o desafio que também foi aceite pelo Tiago, e pelo Hugo, que iria vestir as cores da “Ó” DO VIDRO pela segunda vez de forma “oficial”, tendo a sua primeira participação como membro da equipa acontecido nas 24H de BTT de Lisboa, onde demonstrou ter o espírito apropriado para receber o “Ó”. Uma vez que se tratava da primeira edição, e com uma logística complicada pela frente (ruas fechadas desde a antiga zona do Castelo até ao Centro Histórico, vários cruzamentos com estradas movimentadas etc), a organização decidiu limitar o número máximo de inscrições a 100, mas talvez devido a uma comunicação tardia do evento nos meios do costume, como o FORUMBTT, foram apenas cerca de 53 os inscritos que realmente pagaram a prova, tendo comparecido na meta apenas 45. Assim existiram cerca de 55 possíveis participantes que perderam um grande evento, e o qual poderá ser uma das provas de referência da região no futuro, mas os rapazes da “Ó” DO VIDRO lá estavam às 9h da manhã, prontos para pedalar furiosamente até às 13h da tarde, ou pelo menos até quando as pernas e o material aguentassem…! Após a buzinadela da praxe sinalizando a partida, os atletas arrancaram em grande ritmo como já é costume, não existindo em muitos a consciência da dureza que uma prova deste tipo por norma tem, pois 30m num ritmo demasiado alto podem facilmente pagar os seus dividendos passadas 2h. A fase inicial do percurso era composta por uma descida em alcatrão a qual encaminhou os participantes para um trilho arenoso ladeado por muros de pedra. Aqui ultrapassar era difícil, e o facto de o grupo ainda não se ter ainda “partido” fez com que se levantasse imenso pó, que não só dificultava a visibilidade, como a respiração, já que inspirar terra não é propriamente agradável numa altura em que todo o oxigénio é preciso! De seguida era tempo de subir em alcatrão, e depois mais um pouco em caminho velho, até que os atletas chegavam a meio do imponente conjunto de colinas escarpadas que estão em frente a Castelo de Vide, onde era possível contemplar uma vista de cortar a respiração sobre a vila que estava ali mesmo aos pés de todos, com o seu casario branco em contraste com a cor escura e aspecto áspero da pedra do castelo. Ali foi possível rolar durante alguns klms, passando por algum “parte-pernas” até às primeiras descidas, e que descidas!! A primeira de todas anunciava já os perigos que seriam possíveis de serem encontrados mais à frente, já que era composta por imensa pedra fixa, alguma solta, mas também valas e gravilha, tudo elementos que poderiam facilmente originar uma queda aparatosa que felizmente não houve notícia de ter acontecido. A segunda nada mais era do que um fantástico singletrack cercado por arbustos e ramos que o tornavam estreito, enquanto que as pedras aguçadas do chão o tornavam técnico, mas também muito divertido. Devidamente sinalizado pela organização com uma placa de “perigo”, este singletrack quase como que “desafiava” os atletas a andarem cada vez mais rápido, seduzindo-os com as descargas de adrenalina que proporcionava volta após volta, principalmente quando o mesmo era feito em jeito de “picanço” por dois participantes, que ali poderiam avaliar o grau de destreza de cada um numa espécie de duelo que era ganho por quem ultrapassasse. Rolar na roda de alguém naquele trilho foi uma verdadeira aventura! As pedras saltavam enquanto os ramos roçavam nos braços dos participantes. Era quase impossível ultrapassar, embora de vez em quando surgisse uma “aberta”, mas por pouco tempo, já que era necessário travar para não cruzar demasiado rápido a pequena elevação de pedra que atravessava o trilho. Era possível saltá-la mas nada recomendado, pelo menos quando o velocímetro marca 40km/h e à nossa frente segue alguém que queremos passar, e aí as rodas querem-se no chão para que a velocidade aumente cada vez mais. As suspensões trabalham nos limites amortecendo como podem os impactos frenéticos e contínuos provocados pelas pedras. Quem segue de semi-rígida luta constantemente com os “coices” da roda traseira que insiste em querer levantar, mas todos começam a sentir os braços a latejar com tanta pancada, e torna-se difícil controlar de forma sensível os travões, pois os dedos e pulsos ficam dormentes. A descida está prestes a acabar e o terreno está cada vez pior. Torna-se obrigatório baixar a velocidade e aplica-se ainda mais força nos travões cujos discos continuam a aquecer desmesuradamente. Por entre a vegetação ouve-se uma voz: -Cuidado, cuidado, gancho à direita!!! Exclama um membro da organização. É o final do singletrack, e o tudo por tudo para quem quer ultrapassar alguém e ainda não o conseguiu. Mais um pouco de travão, a velocidade reduz-se quase a zero, tomba-se o corpo para a direita, e já está! Se quem seguia à frente abriu demasiado a curva era possível passar por dentro, mas, se quem passasse já estivesse com poucas pernas, então de nada tinha servido tudo aquilo, porque começavam de novo as subidas e poderia facilmente ser de novo ultrapassado por um participante com mais “pujança”. Mas como antes das grandes tempestades vem sempre alguma bonança, houve ainda tempo para uma pequena descida de alcatrão na qual era possível atingir grandes velocidades. Na verdade tornou-se num dos spots mais divertidos da prova, pois terminava ao cruzar uma estrada (devidamente cortada pela GNR) e numa transição entre alcatrão e empedrado que se transformava numa espécie de “drop”. Ali era possível voar durante alguns metros…! A fase final seria sem dúvida a pior, com os últimos dois km a serem quase sempre feitos a subir em direcção ao Castelo, em primeiro lugar por um trilho de terra e pedra, depois por alcatrão, mas o mais complicado seriam os metros em calçada antiga e muito estragada, ao qual era acrescida a dificuldade de existirem alguns degraus, espaçados é verdade, mas que complicavam tudo, principalmente após algumas horas! A alternativa aos degraus seria o escoamento das águas pluviais, mas cuja inclinação era tanta que obrigava a um verdadeiro “pico” de força, tudo isto para curvar de seguida de forma apertada à direita, passar por baixo da arcada do castelo, curvar à esquerda, evitar os pinos de pedra e aproveitar!! A partir dali os participantes poderiam sentir-se no Lisbon Downtown, ou pelo menos nas 3H de resistência em Leiria, que para quem conhece, como o Tiago, não podia deixar de achar semelhante. Os membros a organização encerraram as ruas, e era possível atingir velocidades muito elevadas pelo empedrado medieval, fazendo rasantes às esquinas, e sempre com a esperança que nenhuma idosa resolvesse sair de forma descontraída da sua casa… Após um gancho à esquerda era necessário ter cuidado para não falhar o gancho seguinte à direita, mas a partir dali o percurso já estava quase no final, e era só “puxar” até entrar no largo principal cheio de turistas e locais nas esplanadas que apoiavam os participantes volta após volta. Só em Castelo de Vide naquele fim-de-semana decorria a Feira Medieval, um Rally de Clássicos, e a prova de BTT, o que atesta bem o dinamismo daquela Vila. Um verdadeiro exemplo para outros! Após entrarem de novo no jardim, e cruzarem o arco de meta, estavam cumpridos os 10klms, e havia que aguentá-los durante mais algum tempo. E assim foi com os rapazes da “Ó” DO VIDRO, que apesar de não ter havido nenhuma queda, não deixou de haver algum azar, pelo menos para o Joel cuja bicicleta se recusou a dada altura de meter mudanças à frente, após 4 voltas seria o fim da sua prova. O Hugo, com a sua Trek constantemente “Kitada” fez 6 voltas, enquanto o Carlos fez mais uma, e o Tiago 2. Finalizada a prova ganha pelo atleta Rui Carvalho de 17 anos, era tempo de ir almoçar à feira medieval e descontrair. Estava cumprido mais um evento, e mais uma participação da “Ó” DO VIDRO. Agradecimentos especiais ao Diogo que estrategicamente posicionado no arco de meta apoiou os rapazes durante as 4H fornecendo-lhes tudo o que precisavam. Até para o ano Castelo de Vide!!! Fonte: http://www.ovidrinhos.com |
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